Vinte e um anos separam duas fotografias do mesmo pedaço de serra. Sobrepostas aos polígonos minerários que hoje a cercam, elas mostram uma paisagem pressionada pelas bordas enquanto o núcleo ainda resiste.
A Serra da Chapadinha é uma das principais zonas de recarga hídrica da bacia do Paraguaçu, que abastece 86 municípios e mais de 65% da Região Metropolitana de Salvador. Reconhecida pela UNESCO. Habitat de espécies ameaçadas. Território de quilombos e assentamentos. Mas está sem proteção legal — e sobre ela incidem 51 processos minerários. Um deles, em fase de direito de requerer a lavra: o processo 872.150/2017, da Mineração Novo Rumo. Em 1º de maio de 2026, defensores da serra foram atacados por homens armados na pousada Toca do Lobo. Quatro dias depois, a ANM aprovou o relatório de pesquisa do processo. Sete dias depois, foi protocolada a Frente Parlamentar — e, em 29 de maio de 2026, foi oficialmente constituída no Diário Oficial do Legislativo — instalada em 9 de junho com 23 assinaturas parlamentares, presidida pelo Deputado Estadual Hilton Coelho, que dá agora apoio institucional a esta causa. A consulta pública oficial do REVIS correu de 1º a 30 de junho e já se encerrou. Todas as etapas técnicas foram cumpridas. Falta um único ato: a assinatura do governador. A contribuição máxima cabe em um clique: assine o abaixo-assinado (aba 12) — e, se puder, ajude a reerguer a Toca do Lobo (aba 11), atacada e incendiada em 1º de maio.
A Serra da Chapadinha fica na porção sul da Chapada Diamantina — fora do perímetro do Parque Nacional, e por isso sem proteção legal.
São 18,3 mil hectares com 98% de vegetação nativa preservada e poucos moradores — área agora oficialmente delimitada pela Sema na proposta de REVIS (Itaetê 73%, Ibicoara 24%, Mucugê 3%). Suas nascentes alimentam o rio Una, na bacia do Paraguaçu — bacia que abastece 86 municípios e responde por mais de 65% da água da Região Metropolitana de Salvador. A serra é uma das principais zonas de recarga hídrica desse sistema.
Não é um lugar qualquer. O Ministério do Meio Ambiente a reconhece como Área Prioritária para Conservação, com importância biológica “extremamente alta”. A serra integra a Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, reconhecida pela UNESCO — e desde dezembro de 2024 abriga um Posto Avançado oficial da reserva: a Toca do Lobo (justamente o local atacado em maio de 2026). Levantamentos do Centro Nacional de Conservação da Flora, do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, já identificaram 184 espécies de plantas em 64 famílias, incluindo endêmicas e em perigo de extinção — como a paina-de-caboclo e a crista-de-galo. Há 10 sítios arqueológicos registrados no IPHAN.
O entorno é um território pluri-identitário: três comunidades quilombolas, nove assentamentos de reforma agrária, terreiros de jarê. O levantamento fundiário aponta apenas seis propriedades particulares legalmente reconhecidas, menos de 10% da área proposta — ou seja, criar a UC não exige desapropriação em larga escala.
O problema cabe numa frase: a área que se quer transformar em Unidade de Conservação é quase exatamente a mesma área que a mineração quer explorar. Os dois projetos disputam o mesmo polígono no mapa.
As três imagens analisadas, elaboradas pelo autor, usam composições de cor diferentes (2004 em falsa-cor; 2025 em cor natural; a terceira por outro programa). Por isso este dossiê não compara “quantidade de verde” — isso seria tecnicamente frágil. Compara apenas o que é robusto: a geometria (polígonos, estradas, clareiras) e o solo exposto, indicador estável entre paletas. Os dados de mineração são cruzados com o registro oficial da ANM.
Extraídos diretamente dos mapas elaborados pelo autor, por análise de imagem, com a escala geográfica das próprias bordas dos documentos.
Não é uma coincidência geológica infeliz. É a explicação de toda a disputa: a pressão de bastidores pela categoria mais permissiva de UC — uma APA, de uso sustentável, que pode admitir atividades econômicas licenciadas — em vez de um Refúgio de Vida Silvestre, de proteção integral, existe porque há ~1.950 hectares de requerimentos esperando essa decisão.
Os três mapas elaborados pelo autor cobrem rigorosamente a mesma janela geográfica — as mesmas coordenadas aparecem nas quatro bordas de cada documento. Isso permitiu sobrepor as imagens pixel a pixel. Os polígonos minerários foram isolados pela cor das linhas e rótulos; a área de cada polígono fechado foi calculada convertendo pixels em hectares pela escala derivada das marcações de coordenada. Os polígonos cortados pelas bordas do recorte foram apenas identificados, não medidos — e por isso não entram no percentual de 29%.
O recorte total analisado é de aproximadamente 6.700 hectares. A aba Fontes e método detalha o cálculo, as limitações e a rastreabilidade de cada dado.
Toque nos botões abaixo para ligar e desligar cada camada sobre a imagem de satélite de 2025.
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O polígono central de minério de ferro não tangencia a serra — ele a contém por inteiro. O contorno menor encaixado a leste é o processo de quartzito e diamante.
O marcador da Toca do Lobo — o posto avançado dos ambientalistas — cai dentro do polígono de ferro. Quem defende a serra trabalha, fisicamente, no meio da área cobiçada. E a camada vermelha de degradação mostra que as manchas de solo exposto que surgiram entre 2004 e 2025 se concentram nas bordas, formando um anel em volta do núcleo ainda íntegro.
Os polígonos da ANM são dado público oficial. A coincidência entre a área da UC proposta e a área dos requerimentos não é interpretação — é cartografia. Não se discute, se consulta.
Em 07/06/2026, reportagem da CartaCapital revelou que o cerco minerário corre em paralelo a uma explosão de cadastros fundiários no território: empresas ligadas aos setores minerário e imobiliário registraram aumentos abruptos de áreas rurais entre 2023 e 2024, com imóveis sem histórico e indícios de sobreposição — padrão que especialistas batizam de “grilagem digital”. O argumento 5 (aba 7) detalha essa camada.
A medição feita sobre os mapas elaborados pelo autor foi confrontada com declaração pública e com dados da Agência Nacional de Mineração.
Três hectares de diferença entre uma medição independente e o número oficial. Significa que a extração dos polígonos a partir dos mapas do autor é confiável — e que a leitura cartográfica deste dossiê tem lastro. A partir daqui, o dossiê deixa de depender de medição própria: passa a cruzar com o registro oficial da ANM.
A consulta ao SIGMINE — o sistema cartográfico da Agência Nacional de Mineração — confirma e dá nome ao maior dos polígonos sobre a serra:
Três fatos saltam da ficha. Primeiro: a fase. “Direito de requerer a lavra” não é mais pesquisa — é o passo que antecede a extração. Segundo: a cadeia de titulares. O processo passou por quatro empresas em sete anos — Pedreira da Bahia, Goldcoltan, Tree Stone e, desde maio de 2023, a Novo Rumo. Terceiro: o isolamento estatístico. Entre 51 processos na região, é este — e só este — que está pronto para virar mina.
A Folhapress, citando levantamento sobre a região em maio de 2026, contabiliza 51 processos em curso — em sua maioria autorizações de pesquisa de minério de ferro, todos cercando ou incidindo sobre a serra. Já em 2023, o MPF apontava mais de 14 mil hectares com autorização de pesquisa mineral na região. O processo 872.150/2017 é apenas o que mais avançou. A aba Fontes e método reúne a tabela de rastreabilidade desses processos, em construção à medida que as fichas oficiais são consultadas.
O maior polígono medido nos mapas do autor tem ~1.801 ha; o processo 872.150/2017 tem 999,91 ha. A diferença sugere que o polígono medido corresponde a mais de um processo somado, ou a um recorte que não coincide exatamente com um único processo. Por precisão, o dossiê não afirma equivalência direta entre os dois números até que todos os processos incidentes sejam confirmados no SIGMINE.
A mesma janela geográfica, duas décadas de distância. Arraste o círculo para a esquerda e para a direita.
☰ arraste o círculo central para comparar
Lembre da nota de método: as cores diferem porque são composições distintas — o que importa aqui é a geometria. Observe a porção sul e sudoeste: onde em 2004 havia mancha contínua, em 2025 surgem talhões de bordas retas e solo exposto — assinatura de ocupação, não de processo natural.
O autor produziu ainda uma terceira imagem, também recente (2025/26), porém processada com outro programa e outra paleta. Ela não é um ponto intermediário no tempo — é uma segunda fotografia independente do estado atual. Quando duas ferramentas distintas leem a mesma paisagem e chegam ao mesmo padrão de borda, o achado deixa de ser interpretação e vira constatação.
Dentro do polígono de ferro, o solo exposto passou de 5,6% (2004) para 14,8% (2025). O coração da serra ainda está majoritariamente preservado — mas a degradação quase triplicou. Ainda dá tempo de proteger. Mas “ainda” tem prazo.
Os requerimentos minerários são antigos. A violência é nova — e o seu timing não é casual.
Foram vinte anos entre o primeiro requerimento minerário e a consulta pública. Nos últimos dois meses, tudo se acelerou: ataque armado, avanço do processo minerário, Frente Parlamentar, parecer favorável, consulta pública, denúncia de grilagem digital. A parte que dependia de estudo, de prova e de mobilização está feita. O que falta não depende mais da serra nem de quem a defende — depende de uma assinatura.
Segundo a Comissão Pastoral da Terra, a Bahia registrou em 2025 116 conflitos por terra e 19 conflitos por água. Quilombolas, indígenas e trabalhadores rurais estão entre os mais atingidos. O atentado à Toca do Lobo se insere nesse quadro, e é a razão pela qual o MPF cobra simultaneamente a investigação do crime e a criação da Unidade de Conservação: proteção de pessoas e proteção de território são, aqui, a mesma coisa.
Cada uma se sustenta sozinha — e nenhuma depende de perícia de cor de imagem. Esta é a espinha dorsal para o dossiê técnico e para a fala pública.
A área sob processo da ANM coincide geograficamente com a área da Unidade de Conservação proposta. Os polígonos da ANM são dado público oficial — isso não se discute, se consulta.
146 ha medidos no mapa contra 149 ha declarados para o mesmo processo. A leitura cartográfica deste dossiê está validada por fonte externa.
O padrão espacial — um anel de solo exposto cercando um núcleo íntegro — é geometria, não cor. É a assinatura de avanço de fronteira, e duas leituras independentes a confirmam.
A Toca do Lobo está geograficamente dentro do requerimento de ferro. O atentado de abril/2026 antecede em semanas a consulta pública de junho. O timing e o local falam por si.
Reportagem da CartaCapital de 07/06/2026 documentou uma explosão de cadastros rurais na região entre março/2023 e junho/2024. Um caso emblemático: a empresa Todos os Santos (vinculada ao grupo Carbisa) sai de 0 para 1.847,68 hectares em 15 meses, com imóveis classificados como “nova área”, “sem histórico” ou “potencial duplicidade”. Só em Itaetê, o cadastro saltou em 2.774 ha mesmo após recomendação do MPF (ago/2023) para suspender novas inscrições. Especialistas chamam o padrão de “grilagem digital”: a apropriação de terras públicas ou sem destinação precedida pela inserção em bases cadastrais oficiais.
“A serra ainda resiste no centro — mas está sendo comida pelas bordas. E o mapa de quem quer minerar é o mesmo mapa de quem está desmatando — e, agora se sabe, também de quem está cadastrando.”
A pressão institucional sobre os órgãos públicos continua sendo fundamental — mas a partir de agora a articulação cidadã tem um canal institucional: o mandato do Deputado Estadual Hilton Coelho, presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Serra da Chapadinha. E uma contribuição máxima de massa: o abaixo-assinado público (aba 12).
Os dados do dossiê permitem projetar o que acontece se nada mudar: se a Unidade de Conservação não for criada, se o processo minerário em fase de lavra avançar, se a taxa de degradação observada continuar.
O simulador abaixo não é previsão. É extrapolação do que já foi medido — e não é o pior cenário. É apenas a continuidade do que está em curso, projetada sobre o mapa real. Arraste a alavanca e veja.
A degradação atual já equivale a ~580 campos de futebol.
A simulação usa quatro variáveis, todas baseadas em dados medidos ou documentados:
taxa de degradação = (14,8% − 5,6%) ÷ 21 anos ≈ 0,44%/ano
avanço anual = taxa × núcleo restante
lavra ativa = começa com 999,91 ha (processo 872.150/2017)
novos processos = ativação gradual entre 51 documentados na ANM
Pressupostos: taxa observada de 2004-2025 continua linear; UC não é criada; processos em pesquisa avançam para lavra na ordem em que estão no SIGMINE. Não é previsão. É cenário ilustrativo do que pode ocorrer caso a Unidade de Conservação não seja criada e a tendência atual se mantenha.
Esta é uma peça de visualização de cenário, não de previsão. Parte de dados medidos (taxa de degradação 2004-2025, registro oficial do SIGMINE, 51 processos documentados) e os projeta linearmente assumindo continuidade da tendência. A realidade pode ser mais branda — se houver intervenção — ou mais grave, se outros vetores (grilagem, eventos climáticos) se somarem. A peça serve para tornar visível o que está em jogo na decisão de junho de 2026.
Um dossiê cidadão se sustenta quando cada número pode ser rastreado. Esta aba reúne a origem dos dados, o cálculo da medição e os limites honestos do método.
A análise foi feita sobre três mapas elaborados pelo autor — não sobre imagens de satélite georreferenciadas originais. Os mapas trazem coordenadas, escala gráfica e curvas de nível impressas nas bordas. A escala em metros por pixel foi derivada dessas marcações de coordenada. Como os três documentos cobrem idêntica janela geográfica, foi possível sobrepô-los pixel a pixel.
Os polígonos minerários foram isolados pela cor de suas linhas e rótulos. O solo exposto foi identificado por luminosidade alta combinada com baixa saturação de cor — critério que se mantém estável mesmo entre paletas diferentes. As manchas de mudança foram filtradas para descartar ruído: só entraram no cálculo manchas compactas e contíguas maiores que 0,5 ha.
Esta é uma leitura técnica preliminar, não uma perícia. Foi feita sobre PDFs finalizados, não sobre arquivos georreferenciados originais; não houve georreferenciamento formal nem cálculo de margem de erro pericial. As composições de cor dos mapas diferem entre si — por isso a análise não infere perda de vegetação por tonalidade, apenas lê feições robustas: geometria de polígonos, estradas, clareiras, solo exposto e localização relativa das alterações. Para uso pericial, recomenda-se confirmação sobre as imagens georreferenciadas originais.
O percentual corresponde à soma dos polígonos fechados mensurados dentro do recorte analisado:
1.801 ha (minério de ferro)
146 ha (quartzito / diamante)
——————————
1.947 ha ÷ ~6.700 ha ≈ 29%
Os polígonos cortados pelas bordas do recorte foram descritos qualitativamente (“+6 identificados”) e não entraram nesse percentual — o número real sob pressão minerária é, portanto, maior do que 29%.
Processos da Agência Nacional de Mineração incidentes sobre a Serra da Chapadinha, conforme consulta ao Cadastro Mineiro e ao SIGMINE. A tabela é aberta e em construção — cresce à medida que cada ficha oficial é consultada e arquivada.
O processo 872.150/2017 passou por quatro titulares desde 2017: Mineração Pedreira da Bahia, Goldcoltan Minerais, Tree Stone Mineração e, desde 05/05/2023, Mineração Novo Rumo Ltda. Fonte: Cadastro Mineiro / SIGMINE — ANM, consulta documentada em maio de 2026.
Este dossiê fotografou um momento. Mas o cerco é dinâmico: novos requerimentos minerários, novas inscrições fundiárias e novos desmatamentos podem surgir a qualquer mês. Todas as ferramentas abaixo são públicas e gratuitas — qualquer cidadão pode repetir e atualizar as verificações deste dossiê.
No SIGMINE e no Cadastro Mineiro da ANM (geo.anm.gov.br e sistemas.anm.gov.br), busque mensalmente por Itaetê, Ibicoara e Mucugê: novos protocolos, mudanças de fase (requerimento → autorização de pesquisa → concessão) e cessões de titularidade — a troca de dono de um processo, como a cadeia de quatro titulares do processo 872.150/2017 documentada acima, costuma anteceder movimentação real no território. Anote número do processo, data e fase a cada consulta: a série histórica é a prova.
A trilha que a CartaCapital seguiu é replicável: no SICAR (consultapublica.car.gov.br), os imóveis rurais dos três municípios são consultáveis com data de inscrição, retificações e área declarada — saltos abruptos de área e cadastros novos sem histórico são a bandeira vermelha da “grilagem digital”. No Acervo Fundiário do INCRA / SIGEF (acervofundiario.incra.gov.br), verifique se as parcelas certificadas se sobrepõem à poligonal do REVIS. E nos dados abertos do CNPJ (Receita Federal), o quadro societário das mineradoras e imobiliárias revela endereços e sócios em comum — o método é o mesmo deste dossiê: cruzar registros públicos, nunca especular.
O MapBiomas Alerta (alerta.mapbiomas.org) emite laudos validados de desmatamento com coordenadas, imagens de antes/depois e PDF assinado — um laudo desses anexado a uma denúncia ao Inema ou ao MP vale como evidência técnica. No TerraBrasilis (INPE) e no FIRMS (NASA), acompanhe focos de calor e avisos de supressão. E o Copernicus Browser (dataspace.copernicus.eu) entrega imagem nova do satélite Sentinel-2 a cada ~5 dias, de graça, com comparação lado a lado — foi com séries assim que este dossiê mediu a degradação 2004–2025.
No SEIA (Inema), os processos de licenciamento ambiental são pesquisáveis por município e empreendedor — um pedido de licença novo na região é sinal antecipado. Nos diários oficiais dos três municípios e no Diário Oficial do Estado, busque periodicamente por “Chapadinha”, “mineração” e os nomes das empresas já identificadas: decretos, alvarás e doações de área passam por ali antes de virarem fato consumado.
Só fontes públicas e oficiais. O alvo do monitoramento são empresas, processos e atos administrativos — nunca a vida privada de pessoas. Todo achado vira pedido de apuração aos órgãos competentes, não acusação. Arquive cada página consultada no Wayback Machine (web.archive.org) na data da consulta — registros públicos mudam, e o arquivo congela a prova. E quem monitora um território sob tensão armada deve cuidar da própria segurança digital: os achados podem ser enviados à Frente Parlamentar e ao MP sem exposição pessoal.
Os dados abaixo aparecem ao longo do dossiê, com sua origem indicada. Os de fonte jornalística devem, idealmente, ser confirmados na fonte primária antes do uso institucional.
Material de base: imagens de satélite 2004 e 2025/26 cedidas pelo autor; três mapas elaborados pelo autor.
Documentais e oficiais: Agência Nacional de Mineração — Cadastro Mineiro e SIGMINE; Assembleia Legislativa da Bahia — Indicação nº 26.650/2023 e Frente Parlamentar Mista — Defesa da Serra da Chapadinha (protocolada em 07/05/2026, oficialmente constituída com 22 assinaturas em 29/05/2026, conforme Diário Oficial do Legislativo; instalada em 09/06/2026 com 23 adesões — notícia oficial ALBA, Mídia Center nº 70243); Ministério Público Federal — recomendação de agosto/2023 e ofícios de maio/2026; Ministério Público da Bahia — Promotoria do Médio Paraguaçu (portaria nº 699.8.91708/2021); UNESCO / Reserva da Biosfera da Mata Atlântica — designação do Posto Avançado Toca do Lobo (12/2024); Ministério do Meio Ambiente — portarias de Áreas Prioritárias; IPHAN; SEMA-BA — Estudo Técnico do REVIS Chapadinha (29/05/2026), Parecer Técnico favorável, Mapa da poligonal e página oficial da consulta pública (01–30/06/2026); INCRA — bases CCIR / SNCR.
Científicas: Centro Nacional de Conservação da Flora / Jardim Botânico do Rio de Janeiro (CNCFlora / JBRJ) — inventário florístico e estudo de subsídio à criação da UC.
Jornalísticas: ((o))eco, Folhapress / Acessa, Brasil de Fato, CartaCapital (incluindo a reportação de 07/06/2026 sobre “grilagem digital”, de Wendal Carmo), Jornal Correio, IHU Unisinos, Bahia Notícias, PrimeiroJornal, NE9, Panorama da Bahia, Política in Rosa, Calila Notícias, Repórter Hoje, Notícia Livre; Movimento Salve a Serra da Chapadinha; Comissão Pastoral da Terra (CPT); Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia (AATR).
Um documento honesto separa o que afirma do que sugere, e o que sugere do que ainda precisa ser investigado. Os quatro degraus abaixo organizam esse limite.
Processos da ANM, fase, titular, área, histórico no SIGMINE. A indicação nº 26.650/2023 da ALBA. A recomendação do MPF de 2023. A designação UNESCO de 2024. O protocolo da Frente Parlamentar em 07/05/2026 e sua constituição oficial em 29/05/2026 com 22 assinaturas. Tudo consultável em fonte oficial.
Áreas extraídas dos mapas elaborados pelo autor (1.801 ha; 146 ha), cálculo dos 29%, detecção de solo exposto (~580 ha em 21 anos). Método descrito acima; qualquer pessoa com os mesmos mapas chega aos mesmos números.
O avanço da degradação pelas bordas. A coincidência territorial entre pressão minerária e solo exposto. A projeção de cenário na aba 8. Conclusões técnicas defensáveis a partir dos dados — não são certezas, são leituras com lastro.
Quem mandou os homens armados invadirem a Toca do Lobo às vésperas da consulta pública. Por que o relatório de pesquisa minerária foi aprovado quatro dias depois do ataque. Isso o dossiê não afirma — pede que se apure.
Toda peça pública precisa enfrentar o contraditório. Eis as quatro perguntas mais previsíveis — e as respostas honestas:
Não. O mapa prova sobreposição territorial, pressão minerária e mudança visível na paisagem. Quem cometeu o crime, por que cometeu, e quem mandou, dependem de investigação oficial — do Ministério Público, da Polícia e da Justiça. Este dossiê não acusa. Mostra a coincidência entre o avanço do processo minerário, o ataque armado e a aprovação da lavra quatro dias depois — e pede que se apure.
Não. Os três mapas usam composições de cor diferentes — comparar tonalidade de verde seria tecnicamente frágil, e o dossiê evita esse erro. A comparação usa apenas feições robustas: solo exposto, clareiras, estradas, geometria de polígonos — indicadores estáveis entre paletas.
Não é isso. O caso trata da incompatibilidade entre mineração industrial e uma área específica — uma zona de recarga hídrica de uma bacia que abastece 86 municípios, com biodiversidade endêmica reconhecida pela UNESCO, com sítios arqueológicos e comunidades tradicionais. Mineração tem lugar; esse lugar não é um deles.
Porque o caso exige proteção integral contra usos incompatíveis com a conservação. Uma APA é categoria de uso sustentável e pode admitir atividades econômicas licenciadas — o que, na prática, deixa brecha para a pressão minerária que é o problema central. O Refúgio é a ferramenta jurídica desenhada para o caso.
A tabela de processos da ANM acima é aberta: cada nova ficha consultada no SIGMINE a torna mais completa — e o dossiê, mais robusto para o Ministério Público, a SEMA e a imprensa. O próximo passo é documentar todos os processos incidentes sobre a serra.
Diante da demora na criação da Unidade de Conservação e do ataque armado à Toca do Lobo, a defesa da serra ganhou, em maio de 2026, uma estrutura permanente dentro da Assembleia Legislativa da Bahia — agora oficialmente constituída.
Na manhã de terça-feira, 9 de junho de 2026, a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Serra da Chapadinha foi oficialmente instalada na Assembleia Legislativa da Bahia, já com 23 assinaturas parlamentares. Hilton Coelho (PSOL) preside a Frente; Olívia Santana (PCdoB) é a vice-presidente. A mesa da solenidade reuniu a deputada Neusa Cadore (PT), o vereador de Salvador Professor Hamilton Assis (PSOL), os ativistas Marcos Fantini e Alcione Corrêa, do Movimento Salve a Serra da Chapadinha, e Dona Mira, do MSTB.
Alcione Corrêa assumiu como representante dos movimentos sociais e ambientalistas na estrutura da Frente — pouco mais de um mês depois do ataque armado à Toca do Lobo, ela passa a ocupar um assento institucional na defesa da serra. Cobertura oficial da ALBA →
O processo de criação do REVIS Serra da Chapadinha cumpriu todas as suas etapas. Não falta estudo, não falta parecer, não falta escuta pública. Falta um ato de caneta.
A própria Secretaria do Meio Ambiente descreveu esse caminho em nota pública, ainda em 2023: disse que havia conversa com o governador e que a preparação em curso culminaria na assinatura e publicação de um Decreto. O roteiro é do próprio governo. Chegou-se ao fim dele.
Desde 4 de julho de 2026 vigora o defeso eleitoral (Lei nº 9.504/1997). Por isso o portal da ALBA suspendeu conteúdos até 25 de outubro e a página de notícias da Sema está vazia.
A vedação legal, porém, incide sobre a publicidade institucional — a divulgação promocional de atos, obras e programas. Não sobre a prática do ato administrativo. Criar uma unidade de conservação por decreto é ato de gestão, não peça publicitária.
E há precedente do mesmo mês: em 3 de julho de 2026, o Governo do Distrito Federal assinou os decretos que criaram o Refúgio de Vida Silvestre Canela de Ema e a ARIE do Ribeirão Sobradinho — publicados no Diário Oficial em 7 de julho, já dentro do período de restrição. O calendário eleitoral não impede o decreto.
Em 07 de maio de 2026, o deputado estadual Hilton Coelho (PSOL) protocolou na ALBA o requerimento de criação da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Serra da Chapadinha — uma estrutura fundamentada no Regimento Interno da Casa e na Resolução 117/2013. Hilton Coelho foi eleito seu presidente.
Nas semanas seguintes ao protocolo, a articulação do mandato conseguiu reunir 22 assinaturas — uma a mais que as 21 exigidas pelo Regimento Interno da Casa — consolidando a Frente como estrutura suprapartidária que reúne parlamentares de campos políticos distintos em torno de uma causa comum. Sinal de que a defesa da serra não é bandeira de um partido, mas pauta de Estado.
A estrutura prevista no estatuto integra parlamentares e sociedade civil no mesmo arranjo de decisão: uma Assembleia-Geral, um Conselho Executivo e um Conselho Consultivo — este último com lugar reservado para 15 membros da sociedade civil com atuação reconhecida na defesa da serra, além de representantes dos poderes públicos estadual e municipal. Os cargos não são remunerados, e o mandato acompanha a legislatura.
Uma indicação pode dormir numa gaveta — foi o que aconteceu por quase três anos com a Indicação nº 26.650/2023. Uma Frente Parlamentar é diferente: é estrutura permanente, com mandato, que cobra, fiscaliza e não deixa o tema sair de pauta — sobretudo agora, na espera pelo decreto.
A defesa da Serra da Chapadinha é uma construção coletiva — o movimento Salve a Serra da Chapadinha já reúne mais de 65 mil pessoas. Com o apoio institucional do Deputado Hilton Coelho, a contribuição e a articulação passam agora a ter um canal oficial: o mandato que preside a Frente Parlamentar na ALBA. E todo cidadão tem, em um clique, a contribuição máxima possível: assinar o abaixo-assinado público (aba 12).
A Serra da Chapadinha ainda está em pé.
O que falta não é diagnóstico:
é decisão pública.
Na noite de 1º de maio de 2026, homens armados invadiram a Pousada Toca do Lobo — a base que sustentava o monitoramento ambiental da Serra da Chapadinha. Os ambientalistas Alcione e Marcos foram atacados; equipamentos foram destruídos e incendiados. O atentado quis apagar olhos e ouvidos da serra. Uma vaquinha pública está aberta para reerguer a base e devolver à região sua capacidade de testemunhar.
Contribuir agora Endereço direto: kickante.com.br/vaquinha-online/salve-a-toca-do-lobo-serra-da-chapadinhaA Toca do Lobo não era apenas uma pousada de turismo de natureza. Era a base operacional de quem fazia, na prática, o monitoramento da Serra da Chapadinha — o ponto a partir do qual saíam as expedições, as medições, as imagens e os registros que documentam o que acontece em uma região sem proteção legal e sob pressão minerária crescente. O ataque do 1º de maio destruiu equipamentos e atingiu pessoas. A vaquinha é para reerguer essa estrutura — e não deixar que o silêncio se instale.
Instrumentos de campo, registros e o que permitia documentar o território — perdidos ou inutilizados no atentado.
A pousada que servia de apoio logístico para expedições, pesquisa e recepção — danificada e parcialmente incendiada.
Sem base, sem olho permanente na serra. A vaquinha é o que recoloca em pé a capacidade de testemunhar.
Em uma região onde 51 processos minerários aguardam decisão e onde a consulta pública que define o futuro está marcada para junho de 2026, testemunho documentado vale ouro. Quem está em campo, com câmera, instrumento e registro, é quem produz a prova que entra em audiência pública, em processo no Ministério Público, em reportagem.
Reerguer a Toca do Lobo é manter esse fluxo de prova ativo — e garantir que a luta pela criação do Refúgio de Vida Silvestre da Serra da Chapadinha tenha um corpo material para se sustentar, não apenas argumentos. O atentado tentou apagar a base; a vaquinha existe para que essa tentativa fracasse.
O contexto completo do atentado — sequência, motivação, conexões — está narrado em detalhe na aba 8 — A morte anunciada. Esta aba existe porque aquela aba existe.
Que a serra não fique sem olhos.
Reerguer a base é
recusar o silêncio.
A maior contribuição que um cidadão pode dar agora — antes da consulta pública de junho de 2026 — cabe num clique. Cada assinatura conta como manifestação cívica formal, e fortalece o argumento da Frente Parlamentar Mista presidida pelo Deputado Hilton Coelho na ALBA.
Assinar agora Endereço direto: c.org/g9QdsYnTyzUm abaixo-assinado público não é só uma manifestação simbólica. Na prática, ele se transforma em massa crítica documentada que entra como peça na consulta pública, no diálogo institucional com a SEMA-BA, e como argumento concreto na atuação legislativa da Frente Parlamentar.
O número de signatários é referência direta nas decisões sobre a categoria da UC. Quanto mais pessoas, mais robusta a evidência social.
A Frente presidida por Hilton Coelho usa o abaixo-assinado como instrumento de pressão institucional — sua assinatura é munição política.
Sem pagamento, sem cadastro complicado. Apenas nome, e-mail e CEP — e você passa a integrar a defesa documentada da serra.
Depois de assinar, você pode aprofundar sua atuação: veja o argumento técnico para usar em conversas e cobranças, consulte a aba da Frente Parlamentar para os caminhos institucionais, ou siga @hiltoncoelho50 no Instagram para acompanhar a articulação na ALBA em tempo real.
Sua contribuição máxima cabe em um clique.
A serra precisa
do seu nome.
Esta aba existe para que entidades, coletivos, associações, cooperativas, terreiros, sindicatos, universidades, ONGs, conselhos profissionais e qualquer organização da sociedade civil possa registrar formalmente sua adesão à defesa da Serra da Chapadinha. As adesões recebidas alimentam diretamente a articulação da Frente Parlamentar Mista na ALBA — e robustecem o argumento social na consulta pública de junho de 2026.
Associações de moradores, ONGs, coletivos ambientais, movimentos sociais, terreiros, comunidades tradicionais, conselhos comunitários.
Universidades, laboratórios, grupos de pesquisa, sociedades científicas, conselhos profissionais e entidades de classe.
Sindicatos, cooperativas, associações de produtores, redes de turismo de base comunitária, empreendimentos da economia solidária.
A adesão é um gesto institucional — declarado pela entidade, não por uma pessoa em nome próprio. Por isso, o formulário pede dados da organização e de quem responde por ela. As adesões compõem uma lista pública a ser entregue à Frente Parlamentar.
Recebida a adesão, a articulação da Frente Parlamentar fará o registro na lista oficial de entidades signatárias. As entidades que autorizarem podem ser convidadas a integrar atividades públicas — audiências, seminários, vistorias de campo — e, conforme a estrutura prevista no estatuto, candidatar-se ao Conselho Consultivo da Frente, que reserva 15 vagas à sociedade civil com atuação reconhecida.
A adesão institucional é um gesto da entidade. O abaixo-assinado público (aba 12) é o gesto individual, cidadão — e os dois andam juntos. Se você adere em nome de uma entidade, considere também assinar como pessoa.